Empresas passam a apostar em ações de integração de pessoas com deficiência auditiva

Apesar das estatísticas expressivas, população surda ainda sofre barreiras no mercado de trabalho

Rio de Janeiro, 11/07/2019 –

De acordo com estatísticas do IBGE, existem, no Brasil, cerca de 10 milhões de pessoas com deficiência auditiva – o que representa 5% da população, aproximadamente. Apesar da quantidade significativa desse grupo social, a exclusão por meio da negligência com as formas de comunicação, sobretudo da Língua Brasileira de Sinais (Libras), ainda é um grande empecilho não só no eixo pessoal, como também no profissional. Ainda que haja o reconhecimento por lei da linguagem de sinais no país, o suporte oferecido para esta população permanece marginalizado.

Mesmo com as barreiras que o grupo social enfrenta no mercado de trabalho, algumas instituições e empresas tem começado a apostar na inclusão efetiva das pessoas com deficiência auditiva. É o caso do Hospital São Lucas Copacabana, que realizou, no dia 2 de maio, a formatura de diversos funcionários que participaram do curso de Libras oferecido pela instituição. O workshop, que acontece desde 2014, é voltado para a própria equipe e já formou mais de 200 colaboradores nos módulos básico e intermediário e conta agora com um módulo avançado, que está previsto para começar até o fim do semestre.

Segundo Amanda Rodrigues, analista de Recursos Humanos do hospital, a iniciativa da instituição parte de um sentimento de empatia e inclusão e tem o objetivo de incentivar a aproximação entre os colaboradores portadores de deficiência auditiva – cerca de 20 – e o resto da equipe, fazendo com que se sintam efetivamente integrados no ambiente de trabalho, por meio do reconhecimento de que a comunicação é um direito humano fundamental.

Felipe Oliver, um dos instrutores do curso de Libras do hospital, atua há mais de 10 anos como intérprete do idioma e vê a iniciativa com otimismo: “Vivemos numa época em que se fala sobre acessibilidade e inclusão o tempo inteiro, então, é uma atitude muito bonita e necessária. Nem todas as empresas têm a preocupação de oferecer o ensino de Libras ou até mesmo trazer intérpretes, o que demonstra a preocupação da instituição com a integração dos funcionários que têm a deficiência. Este grupo não pode ser ignorado”.
Já Michael Milhoranse, do Setor de Faturamento e portador de deficiência auditiva, também destaca a importância da iniciativa pelo lado social. “Sinto-me muito feliz, pois me sinto motivado e desejado aqui – assim como os outros funcionários surdos -, e não desprezado. É muito bom conhecer melhor as pessoas com quem trabalho, me aproximar delas. Em várias ocasiões, nós nos ajudamos para realizar alguma tarefa. Também tenho a satisfação de saber que até mesmo os pacientes surdos podem ter amparo da equipe”, explica o colaborador, por meio do intérprete.

Regina Filomena, Rosanete Silva e Bárbara Cruz, também do Setor de Faturamento, são três das formandas do curso, tanto do módulo básico como no avançado. “No início, decidi me inscrever pela curiosidade. Mas depois percebi a dimensão de uma iniciativa como essa. É realmente sobre ajudar o próximo”, conta Rosanete. “Em nosso setor, há vários funcionários com deficiência auditiva, então, meu interesse era conhecê-los melhor”, explica Regina. “O mais bacana é ver, a cada degrau de conhecimento que subimos, o quanto eles ficam animados e motivados em perceber nosso interesse”, aponta Bárbara.

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